LISTAR TODAS AS NOTÍCIAS

Crianças e jovens devem ser críticos frente aos Meios de Comunicação

Formado em psicologia e mestre em Ciências da Comunicação, o pesquisador cubano Pablo Ramos Rivero é coordenador geral da Red Unial El Universo Audivisual del Niño Latino americano, vinculada aos festivais internacionais de cinema realizados em Havana, Cuba. A rede congrega instituições preocupadas com a formação de crianças e jovens como espectadores ativos, críticos e participativos frente aos meios de Comunicação.

 

Ao participar em Porto Alegre (RS) como palestrante em um evento, ele abriu sua agenda para conhecer grupos de jovens e seus projetos e discutir uma parceria com a FLD. Também respondeu algumas perguntas numa entrevista especial para o site www.fld.com.br e mandou um recado que vale a pena anotar:

 

“Nos interessa muito a participação de jovens brasileiros, com seus vídeos, no encontro que realizamos a cada dezembro no Festival de Cinema Cubano. Vamos dedicar o ano de 2010 para produções que mostrem como os grupos se enxergam, com um bom espaço no circuito do festival. Queremos conhecer a experiência do trabalho que já vem sendo realizado no Brasil no trabalho de audiovisuais comunitários.”

 

Veja o site de alguns dos grupos apoiados pela FLD na área e na sequencia a entrevista com Pabro Ramos Rivero.:

 

Kasulo - www.hiphop470.com.br

Circulando informação e arte urbana - ongcirculando.com

Instituto Trocando Idéia - www.myspace.com/trocandoideia

Associação comunitária do Campo da Tuca - campodatuca.org.br

Maria Mulher - www.mariamulher.org.br

Trilha cidadã - ongtrilhacidada.wordpress.com

Instituto Lenon para a Paz - www.institutolenon.wordpress.com

Rádio Quilombo - radioquilombo.wordpress.com

Alice - www.alice.org.br

 

FLD: Os temas dos jovens cubanos são os mesmos temas dos jovens brasileiros?
Pablo Ramos Rivero: A realidade do nosso país é muito complexa, muitas vezes com perda de confiança e de falta de expectativa. Existe um desassossego com o momento político e econômico – e os principais temas da produção da juventude cubana têm a ver com suas necessidades e o que esperam do futuro.

 

FLD: Na sua opinião, o que é fundamental para a produção jovem?
Pablo Ramos Rivero: É preciso ser autêntico, respeitar-se a si e aos demais. A Comunicação é sempre um diálogo, não é uma imposição de visão de mundo. Trata de compartilhar experiências, de dialogar entre todos. Todo o trabalho – não apenas dos jovens – deve ser uma oportunidade de comunhão, de promoção de uma cultura de direitos, de paz, de cuidado ao meio ambiente e ao ser humano.

 

FLD: No Brasil, uma das dificuldades apontada pelos grupos de juventude é sua dificuldade de distribuir – dar visibilidade - as suas produções. Como é em Cuba?
Pablo Ramos Rivero: Temos questões que dificultam a veiculação em empresas estatais. Além disso, nem sempre os vídeos têm qualidade suficiente para a transmissão em um canal de televisão. O que temos feito é abrir circuitos alternativos em festivais e outros encontros.

 

FLD: Como está a produção de audiovisuais pelos jovens cubanos?
Pablo Ramos Rivero: Já temos uma boa produção, sobretudo ligada aos alunos da Escola de Cinema – tanto a Escola Internacional como a Faculdade de Meios Audiovisuais em diferentes províncias.

 

Também temos uma pequena produção independente de jovens realizadores sobre temas polêmicos da sociedade cubana. Por questões de caráter econômico – o baixo custo dos equipamentos – recebemos apoio da Unesco e Unicef e contamos com uma estrutura básica para realizar experiências em comunidades e escolas, fazendo o mesmo que já acontece em Brasil, que produz materiais que refletem questões das comunidades onde vivem esses jovens.

 

FLD: Os grupos procuram o apoio de vocês ou vocês oferecem alternativas aos grupos?
Pablo Ramos Rivero: As duas coisas. Promovemos oficinas comunitárias, de responsabilidade das próprias comunidades, junto com organizações que atuam nas áreas cultural e assistencial e que estão interessadas no resgate da memória local.

 

Por outro lado, identificamos comunidades onde existem problemas que podem ser abordados através de ferramentas audiovisuais. Por exemplo, a pedido do Centro Nacional de Prevenção de HIV/Aids, estamos trabalhando em um bairro de Havana onde há uma alta incidência de HIV/Aids – ai existem grupos de crianças órfãs de pais ou eles mesmos são portadores.

 

Ainda que o trabalho tenha começado sobre o tema específico, a proposta foi crescendo – as questões das diferenças, o entorno, o meio ambiente – uma vez que prevenção não se restringe ao uso de preservativos, mas tem muito a ver com a auto-estima das pessoas – é preciso gostar de si mesmo e dos outros.

 

FLD: Qual a sua atividade em Cuba?
Pablo Ramos Rivero: Sou psicólogo de formação e desde que me graduei comecei a trabalhar no Instituto Cubano de Cinema – organismo estatal que se dedica à produção e exibição cinematográfica (semelhante ao que foi a Embrafilme no Brasil). Comecei dirigindo um departamento de pesquisas sociais, que trata da relação entre os meios de Comunicação e crianças. Depois de algum tempo, busquei conhecer experiências em toda a América Latina sobre Educação para a Comunicação. Os primeiros contatos mais sistemáticos que tivemos com o Brasil foram por meio da Escola de Comunicação e Audiovisual da Universidade de São Paulo (USP), com o educador brasileiro Ismar Soares, coordenador do núcleo de Educação e Comunicação da USP, que vem trabalhando com a temática educomunicação. 

 

FLD: No seu trabalho, uma das questões importantes é vincular a Comunicação à Educação. Como funciona?
Pablo Ramos Rivero: O que buscamos é criar espaços onde tanto as crianças como os jovens aprendam a fazer uma leitura crítica dos meios de Comunicação e também produzir audiovisuais sobre temas do seu interesse, atendendo inclusive a própria Convenção sobre os Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas (http://www.onu-brasil.org.br/doc_crianca.php)

 

A escola ainda oferece uma educação que é baseada na escrita e na leitura. Os jovens estão muito a frente. É preciso que a escola formal se atualize e treine professores no uso e ensino das ferramentas digitais para responder às demandas da atualidade.

 

FLD: O que Cuba poderia ensinar para os jovens daqui?
Pablo Ramos Rivero:
Assim como o Brasil, Cuba tem uma grande riqueza cultural. Talvez a principal lição que temos a dar é nosso espírito de sobrevivência. Pelo isolamento do país, o povo tem que ser profundamente organizado para vencer as dificuldades – que incluem a falta de produtos de todos os tipos. No nosso caso específico, por exemplo, o acesso à Internet é bastante limitado. A capacidade de crescer diante das dificuldades é uma habilidade que deve ser construída.

 





Cadastre-se e receba a nossa
newsletter em seu e-mail