FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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​Marielle sempre presente! Que mil Marielles floresçam

14-03-2019

  

  Eu vim para que todas as pessoas tenham vida e a tenham em abundância. João 10.10  

Há exatamente um ano, Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram brutalmente assassinados por 13 tiros na cidade do Rio de Janeiro. O vídeo Direitos das Mulheres, um dos episódios da série Que Mil Marielles floresçam, traz a sua imagem e a sua voz, assim como de outras mulheres que conviveram com ela nas diferentes lutas. A série foi realizada pela organização Criar Brasil, com apoio do Programa de Pequenos Projetos da Fundação Luterana de Diaconia (FLD).

Uma das entrevistadas é Adriana Motta, feminista, socióloga, educadora popular e pedagoga: “o mandato de Marielle, ou mandata, como a gente gosta de falar, era uma porta de entrada para movimentos de mulheres na câmara de vereadores. O tempo todo a gente estava junto com ela, fazendo as leis, propondo, votando. Era uma mulher que conseguia dialogar com os movimentos de mulheres, com os movimentos feministas e trazer essas pautas na construção dos projetos. Então, eu me sentia vereadora”.

Adriana fala sobre um dos vários projetos de lei aprovados, o Assédio não é passageiro, contra o assédio sexual nos transportes urbanos – problema especialmente grave no Rio de Janeiro –. “Ela dizia que era preciso prevenir essas situações de acontecerem, que é preciso fazer algo antes que esse comportamento violento, agressor, se instaure definitivamente. E mais importante, que evitar o assédio não é responsabilidade das mulheres, mas sim, das empresas concessionárias de transporte público”.

O vídeo Genocídio da População Negra trata de outro tema com o qual Marielle estava profundamente envolvida. No seu depoimento, Rodrigo França, ator, cientista político e especialista em segurança pública, lembra que o inimigo que se fomenta na sociedade brasileira é o pobre, o favelado, o preto. “Isso só retroalimenta uma ideia de proteção para quem foge desse contexto, para quem é do crime de colarinho branco – que mata quando existe corrupção na merenda escolar, por exemplo, o que, no senso comum, ‘não é tão grave’ –. A sociedade quer ver os negros pobres no poste. Nós somos uma sociedade escravocrata. E Marielle não tinha problema de falar sobre isso. Sobre o quanto de pessoas reproduzem esse olhar de ódio, de preconceito. E está na hora de falar sobre isso. Mesmo com o seu assassinato, não vamos nos calar”. 

A série Que mil Marielles floresçam tem cinco vídeos no total: Biografia de Marielle, Genocídio da população negra, Favela e direito à cidade, Direitos LGBT e Direitos das mulheres.